
A curiosidade, a ingenuidade, o olhar transparente, a sinceridade e a espontaneidade são padrões comuns ao tipo de comportamento da criança e do clown. O desejo de ter, de jogar, de experimentar, de aprender, a capacidade de reacção face à queda, seja física ou emocional, a entrega total àquilo que reclama a sua atenção, a ignorância do perigo, o desejo de abarcar tudo, a eterna indecisão perante duas ou mais fontes de atracção irresistíveis.
E, especialmente, o imaginário. Essa capacidade para se transportar para outra realidade, inventada, sonhada, recreada desde o desejo de aceder a ela. Um trampolim para o jogo, para a aventura, como um aspecto fundamental da aprendizagem. Uma atraente simbiose entre conhecimento e gozo. Um elemento de desenvolvimento pessoal e, ao mesmo tempo, de socialização, de convivência, de aceitação e entrega.::
Mas o clown não é uma criança. Tem idade de adulto e, portanto, já viveu e experimentou muito mais coisas que uma criança. Não se pode apagar de repente tudo isso da sua memória. As pessoas, e os clowns que há dentro de cada uma delas, são como são e comportam-se de determinada forma como resultado das experiências vividas desde o seu nascimento.::
O clown é, antes, um adulto que actua sempre como o fazem os adultos quando não são observados, quando não estão expostos ao julgamento dos outros. E é quando estamos sozinhos que os nosso comportamentos se tornam livres, dando rédea solta às nossas verdadeiras emoções e mostrando a nudez do nosso interior.::
Essa é a diferença entre os adultos e as crianças. Os primeiros só se comportam como os segundos quando estão sozinhos. As crianças fazem-no sempre, esquecendo que estão a ser observadas e só vão perdendo essa capacidade à medida que vão crescendo e assumindo o sentido de ridículo, característico do mundo adulto.
: Esse é o milagre do clown, que consegue comportar-se como uma criança sem renunciar à sua idade. :0)
adaptado de El Clown, un navegante de las emociones, Jesús Jara
: Esse é o milagre do clown, que consegue comportar-se como uma criança sem renunciar à sua idade. :0)
adaptado de El Clown, un navegante de las emociones, Jesús Jara
Sem comentários:
Enviar um comentário