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terça-feira, 2 de dezembro de 2008

IDADE

Do amigo e palhaço Jesus Jara

Há muitas características das crianças no universo do clown, no seu comportamento, na sua forma de pensar, na maneira de enfrentar os problemas, nas suas brincadeiras, nas reacções, nas mudanças de humor, como por exemplo a passagem do choro ao riso sem transição.
A curiosidade, a ingenuidade, o olhar transparente, a sinceridade e a espontaneidade são padrões comuns ao tipo de comportamento da criança e do clown. O desejo de ter, de jogar, de experimentar, de aprender, a capacidade de reacção face à queda, seja física ou emocional, a entrega total àquilo que reclama a sua atenção, a ignorância do perigo, o desejo de abarcar tudo, a eterna indecisão perante duas ou mais fontes de atracção irresistíveis.

E, especialmente, o imaginário. Essa capacidade para se transportar para outra realidade, inventada, sonhada, recreada desde o desejo de aceder a ela. Um trampolim para o jogo, para a aventura, como um aspecto fundamental da aprendizagem. Uma atraente simbiose entre conhecimento e gozo. Um elemento de desenvolvimento pessoal e, ao mesmo tempo, de socialização, de convivência, de aceitação e entrega.::

Mas o clown não é uma criança. Tem idade de adulto e, portanto, já viveu e experimentou muito mais coisas que uma criança. Não se pode apagar de repente tudo isso da sua memória. As pessoas, e os clowns que há dentro de cada uma delas, são como são e comportam-se de determinada forma como resultado das experiências vividas desde o seu nascimento.::

O clown é, antes, um adulto que actua sempre como o fazem os adultos quando não são observados, quando não estão expostos ao julgamento dos outros. E é quando estamos sozinhos que os nosso comportamentos se tornam livres, dando rédea solta às nossas verdadeiras emoções e mostrando a nudez do nosso interior.::

Essa é a diferença entre os adultos e as crianças. Os primeiros só se comportam como os segundos quando estão sozinhos. As crianças fazem-no sempre, esquecendo que estão a ser observadas e só vão perdendo essa capacidade à medida que vão crescendo e assumindo o sentido de ridículo, característico do mundo adulto.
: Esse é o milagre do clown, que consegue comportar-se como uma criança sem renunciar à sua idade. :0)
adaptado de El Clown, un navegante de las emociones, Jesús Jara

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Jorge Pacheco

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Viana do Castelo, Portugal
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